Acabou-se o que era doce. Agora de novo, só ano que vem. Vamos então aos filmes que deu pra ver na Mostra desse ano.
Semana #1500 days of summer (500 dias com ela - EUA, 2009)
O garoto conhece garota. Ele se apaixona, ela não. Não é uma história de amor, mas uma história sobre o amor. Alguns dizem que esse filme pode ser o
Noivo neurótico, noiva nersova dos nossos tempos. O filme é bom, cheio de piadas verdadeiras sendo ditas assim em meio a gracejos para que não pegue muito pesado com a platéia já que todo mundo ali já viu esse filme. O ritmo, a habilidade técnica, as referências pop e musicais do diretor estampam a tela e dão a cara atual da história. O filme é muito mais que isso, mas preferi não falar mais.
Texto do Rafael Gomes sobre o filme
Cold soul (Eu, ela e minha alma - EUA, 2008)
Esse ganhou o prêmio filme despretencioso da Mostra. Fui assistir porque perdi a sessão que queria ver. Mas acabei ganhando na surpresa. É um misto de Brilho Eterno de uma mente sem lembranças com Quero ser John Malkovick. Paul Giamatti (
Sideways) faz muito bem o papel dele próprio, com aquela pitada de humor cinzento e um tanto blasê. Um artista cansado de tudo, que resolve se separar da própria alma por um tempo. Piadas no ponto.

Amor em trânsito (Argentina, 2008)
Eu gosto mesmo dos filmes argentinos e não tem como negar. Por isso pode até ser que minha percepção do filme já seja tendenciosa. Mas esse é um ótimo exemplar "sessão da tarde" em que o tema de alguma maneira te interessa e as piadas te fixam até o final. É aquela história de não saber se vai ou se fica, se desbrava o mundo ou a sua própria vida. Fora isso todo o cuidado visual desde os créditos iniciais e a forma como o roteiro é amarrado saltaram aos olhos como qualidade (talvez no papel o roteiro fique mais óbvio, mas assistindo você se envolve). O nome já diz tudo. E viva o aeroporto.
Julie e Julia (EUA, 2009)
Sessão de domingo na hora do almoço sobre um filme que só fala em comida. Meryl Streep tem esse poder com a gente. O filme conta a história da blogueira Julie que chegando aos 30 anos se vê perdida e cobrada, fazendo algo que não curte. Decide então permitir-se descobri do que gosta e arriscar. Cria um blog e vai fazendo as receitas enquanto a vida anda. De certo que a moral do filme é que é importante ter exemplo, meta e coragem. Bem hollywoodiano, mas vale a entrada.
Programa de curtas #15 curtas selecionados. Domingo a noite, temáticas tristes. Fui para prestigiar o amigo que estreava como ator no curta "O Príncipe encantado". Para quem conhece o Not Dead, no caso ele era o príncipe e o curta ganhou o prêmio Aquisição Canal Brasil (melhor curta-metragem).
Semana #2Ninguém sabe dos gatos persas (Irã, 2009)
Só em São Paulo para descobrir que não apenas eu e mais 3 pessoas gostam de filmes iranianos. A lentidão, a língua e a realidade costumam ser os argumentos contrários que ouço das pessoas, mas ao mesmo tempo é justamente isso o que me atrai neles. No caso desse filme, me surpreendi totalmente. Não apenas pela linguagem mais rápida, com uma narrativa pontual e várias pitadas ocidentais (já que o diretor vive exilado no Canadá) e uma realidade urbana, mas principalmente pelo tema: a cena musical independente de Teerã. Algo muito distante e ao mesmo tempo tão perto. Jovens que querem se expressar em um regime proibitivo e que usam all star e tem posters do Joy Divison ou Kurt Cobain no quarto. O filme te dá um panorama do que acontece por lá mostrando uma história baseada em fatos reais, que ganha mais força ao final da sessão. Levou o prêmio da crítica (melhor filme estrangeiro).

Amerika (República Tcheca, 1993)
Filme que tem no expressionismo alemão sua referência maior. Kafka também se faz presente. Interpretações exageradas que acabaram colocando um pouco mais de graça na história. Valeu pela experência de ver um filme de um lugar tão distante no mapa e imaginário e pelas companhias amigas que fazem toda a diferença e garantem gargalhadas em qualquer lugar, ainda que seja em uma sala escura que pede silêncio.
Dor-fantasma (Alemanha, 2009)
Acredito que é uma grande aposta de filme alemão para os mercados internacionais. Uma história de travas e medos travestidos de opção consciente de vida. Para os
bikers e atletas é muito legal de assistir. Boa trilha sonora. Dor-fantasma no caso, é um tipo de dor pscicológica mas que se sente fisicamente, causada por algo que já nem mais existe ali.

Lost Persons Area (Bélgica/Holanda/Hungria, 2009)
Silêncios, pessoas que vivem praticamente isoladas e cercadas de antenas gigantesca. Gente perdida e lentidão. Não tive paciência de assistir até o final. Chega de gente perdida. Esse foi um dos poucos filmes no meu curriculo que me tirou da sala antes de a sessão acabar. Nem posso dizer se recomendo ou não.

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus
(França/ Canadá/ Inglaterra, 2009)
Um monte de nomes famosos e talentosos em um roteiro lúdico e cheio de fantasia. Desses filmes que demoram uns anos para aparecer. Interessante o assunto sobre a imaginação, a mente e o mundo de cada um a partir de sua expectativa. Direção de arte surpreendente.
Todos os outros (Alemanhã, 2009)
Casal de férias na Itália. Tudo vai bem até que fica mal.
Semana #3 (Repescagem)Dzi Croquettes (Brasil, 2009)
Regina que se preza tem que ver! O documentário é incrível e cumpre o papel primeiro que um doc deve ter: trazer um assunto que é relevante mas que está esquecido ou é desconhecido da maioria. No caso, Dzi Croquettes foi um grupo efusivo que surgiu no Rio em pleno AI-5 e balançou aquela vida tão cheia de proibições. Homens travestidos de mulheres dançando, cantando, fazendo humor, deboche puro. Abriram caminho para o humor besteirol, a homessexualidade, e fizeram escola. Melhor descobrir tudo no filme. Diz-se que até o termo tieti surgiu no meio dessa confusão.